Engraçado como a vida vai passando e a gente não para para olhar as pequenezas da simplicidade do ato de viver.
Enquanto ando pela rua, uma brisa leve toca meu rosto. Olho para cima e vejo as folhas dançando a dança do vento. Sei que elas um dia vão cair, mas elas terão dançado, vibrado com o poder de vida da chuva. E a árvore continuará ali, produzindo novas folhas que vão bailar no instante em que o vento as tocar.
Nesse instante, ah... queria tanto ser folha. Só bailar à medida que o vento toca meu rosto. Queria vibrar mais com o cair da chuva sobre meu corpo e sentir que realmente estou debaixo de um céu que chora e envelopa meu corpo com gotas de vida.
Queria ser folha para murchar, cair sobre a terra, mas, num malabarismo divino, renascer mais verde e mais vivida na próxima estação. E brilhar quando o sol tocar meu corpo.
Olhar os céus e não esperar nada dele, mas aproveitar cada segundo do tempo. Tremer na ventania, mas sem parar de dançar quando a brisa chegar.
Segui meu caminho cercada de folhas no chão, e até no chão elas balançavam com o mover do tempo. Queria saber chegar ao chão e não me prostrar, mas me mover à revelia do acontecer, do agir que não posso controlar.
Enfim, chego em casa ainda sem ser folha, ainda sem saber dançar, ainda sem palco para bailar, mas com o desejo de um dia viver o tempo de hoje e abrir os braços para a dança do agora. Ouvir as sinfonias que tocam no presente, ser pouso de passarinho e não ter medo de voar com o vento, nem de cair com a tempestade.
Um dia, quem sabe, serei folha e sentirei que o sol não só aquece, mas ilumina as pequenezas de uma vida fora dos holofotes.
Talvez eu nunca seja folha, mas já começo a ouvir o vento.

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